12 de julho de 2015

EU NÃO MORO NO BRASIL

Por Danilo Rizzo – Eu não morro de amores pelo Brasil. Não gosto de praia, nem de calor, nem de samba, nem do jeitinho. Adoro futebol, mas não sou patriota de Copa, até porque, desde a década de 80 fui influenciado por meu pai e avô, a torcer pela pátria-mãe... a Itália. Por diversas vezes me manifestei dessa forma nesse site, de forma mais contundente como no artigo “Ame-o ou deixe-o”. Porém, depois de muita observação e de uma breve reflexão, nos últimos dias, percebi que eu havia realizado esse sonho.
Imagem: livrosepessoas.com
No Brasil, a presidente, assim que tomou posse de seu segundo mandato, sacou mão do documento “Brasil, Pátria Educadora”. Segundo a mandatária, ao longo do novo mandato, a educação receberá volumes mais expressivos de recursos, haverá expansão ao acesso às creches e pré-escolas, o Pronatec oferecerá, até 2018, 12 milhões de vagas, continuará apoiando as universidades e continuará garantindo bolsas de estudo para jovens brasileiros.
No país onde vivo, o maior projeto educacional do atual governo não teve como base o Plano Nacional de Educação. O maior programa de bolsas universitárias beneficiou, até junho, o equivalente a 1/3 das bolsas concedidas em 2014, e para cada três pessoas que pedem o benefício, uma tem o financiamento recusado. O Ministério da Educação sofreu um corte de R$7 bi em seus investimentos, o que gerou uma dívida substancial com as instituições de ensino que matricularam alunos baseados nos programas federais de inclusão.
No Brasil, segundo dados do Caged, entre 2009 e 2014, foram gerados mais de 5 milhões de novos empregos formais e, em janeiro do ano corrente, ministro do Trabalho e Emprego declarou que “O Brasil vive o pleno emprego, com regiões onde a taxa de desemprego está abaixo dos 3%, caso do Rio de Janeiro e de Santa Catarina. Em 2015, como os prognósticos da economia são mais positivos que em 2014, acreditamos que vamos continuar gerando empregos”.
No país onde vivo, o governo lançou o Programa de Proteção ao Emprego que prevê redução da jornada de trabalho e de salário de até 30%, isso porque até o mês de maio, aumentou a procura de trabalho, sendo que das 1.6 milhão de pessoas que entraram no mercado de trabalho, apenas 18% delas conseguir emprego e, segundo o instituto estatal de estatísticas, a taxa de desemprego bateu 8,1%.
No Brasil, a presidente afirma que a inflação está sob controle e que o país cresce, e nega que haja problemas nas contas públicas.
No país onde vivo, a inflação acumulada bateu 9,04%, sendo que a meta governamental é 6,5%. O PIB, também acumulado, recuou 1,5%. A taxa de juros sobe freneticamente, assim como o dólar. Como se não bastasse, estamos enfrentando um verdadeiro “tarifaço”, com o aumento de tarifas públicas, da gasolina, do diesel, etc. Já ocorreram aumentos na energia e, até o fim do ano, alguns domicílios computarão mais de 50% de aumento dessa tarifa.
No Brasil, o artigo 19 da Constituição Federal veta à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a interferência religiosa em seu funcionamento, ressalvada a hipótese de colaboração de interesse público.
No país onde vivo, congressistas da chamada “bancada evangélica”, travestidos de paladinos da moral e dos bons costumes, autodenominados defensores da família, e por mim denominados julgadores da fé alheia, impedem a votação de leis que regulem assuntos de interesse público como aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo.
No Brasil, o substituto imediato da presidente da república é seu vice, figura macabra, por sinal. E na ausência desse, alternadamente, os presidentes das casas legislativas assumem como autoridade máxima para comandar e articular politica e executivamente a nação.
No país onde vivo, enquanto a presidente vai aos Estados Unidos tentar fazer com que eu possa migrar de forma menos burocrática, um certo ex-presidente recheia sua agenda com compromissos políticos na capital federal, que incluem um café da manhã com senadores e deputados da base aliada para cobrar maior vigor no enfrentamento à oposição, e com o mesmo "radicalismo" com que são atacados.
Diante de evidências sólidas como estas, só posso concluir que não moro no Brasil.

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