22 de março de 2015

SEJAMOS HUMILDES, TODOS NÓS

Imagem: karinizumi.wordpress.com
Por Danilo Rizzo – O que o país viveu em 15/03/15 foi histórico. O maior protesto político no Brasil desde as Diretas-Já, mais de 2,4 milhões de cidadãos que, pacificamente, declararam suas insatisfações, em parte alinhadas a outro evento histórico recente, as manifestações de 2013. Os focos principais são históricos e conhecidos: a corrupção e o governo federal que, surpreso com a mobilização, demonstrou sentir o golpe. Pudera, a presidente e sua equipe vêm apanhando por tudo e de todos, depois das medidas impopulares e austeras que tomou desde o abrir das cortinas do novo mandato.
Como não poderia deixar de ser, o governo reagiu, mas da forma errada. Quando um de meus filhos contesta uma decisão minha, ou quando um deles faz uma pergunta genérica, eles não esperam que eu os ignore ou que terceirize a resposta. Esperam uma resposta correta, breve e didática, e que sobretudo seja dada por mim. Mas não foi essa a atitude que vi de nossa mandatária, face aos protestos. Na oportunidade que o governo federal teve de se posicionar, enquanto todos esperavam um pronunciamento presidencial, quem falou à nação foram dois ministros de estado, um deles altamente questionado por sua atuação partidária na operação Lava Jato. Para a inauguração de nossa pizzaria, convidamos a rainha Elizabeth e quem apareceu foram o príncipe William e a Kate Middleton. Vossa excelência – a presidente, não a rainha – só deu as caras na última 2ª feira... erro amenizado?
O ex-presidente norte americano Abraham Lincoln dizia que “é melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do quer falar e acabar com a dúvida. ”. Parece que os assessores da presidente não conhecem essa frase, ou entendem que a memória do povo é suficientemente curta para esquecer o que foi prometido quando das manifestações de junho de 2013. Naquele momento, diante do que foram aqueles dias, em rede nacional de rádio e TV, a presidente disse que os manifestantes tinham o direito de protestar, de forma pacífica e ordeira, e expressou que o governo federal lançaria cinco pactos, aprovados pelo Congresso Nacional, a saber: pela responsabilidade fiscal, pela reforma política, pela saúde, pela mobilidade urbana e pela educação.
Segundo a presidente, o pacto pela responsabilidade fiscal visava garantir a estabilidade da economia e o controle da inflação. Também um plebiscito que autorizaria o funcionamento de um processo constituinte específico para fazer a reforma política que o país tanto necessita. Quanto à mobilidade urbana, seriam acrescentados ao orçamento existente mais R$ 50 bilhões em recursos que deveriam ser utilizados na construção de corredores exclusivos de ônibus, metrôs e Veículos Leve Sobre Trilhos (VLTs). Já no setor educacional, o governo enviaria uma medida provisória destinando 100% dos recursos dos royalties do petróleo para a educação. Esse pacto se tornou público em 17/06/13, e o que vimos depois? Operação Lava Jato, inadimplência no Pronatec, não renovação de contratos do FIES, panelaço, queda de popularidade, desvalorização do Real, aumento da inflação e da taxa de juros, etc. e etc.
Dessa vez, depois das manifestações que reuniram centenas de milhares de pessoas em todo o Brasil no domingo passado, o governo prometeu estender o diálogo, defender uma reforma política via plebiscito e atacou as doações empresariais de campanha, de novo. As soluções de 2013 se repetem em 2015, assim como as vaias dirigidas à presidente durante cerimônias públicas. Na última 4ª feira, a presidente veio a público para discursar sobre medidas anticorrupção, mas o que vi e ouvi foi auto promoção acompanhada de palmas de uma plateia bastante bem adestrada, medidas já adotadas e que não evitaram quaisquer dos casos de corrupção, e um claro esforço em afastar o governo dela, dos mandatos de seu antecessor. O resultado disso é um só...
Imagem: veja.abril.com.br
Finalmente, preciso falar sobre o discurso de humildade bravateada por Estela e seus ministros. Não consegui encontrar tal virtude no pronunciamento do dia 18/03, ou quando enviou seus cavaleiros para falar em nome do governo, especialmente o Ministro da Justiça, figura hostil, deselegante, desagradável. O que notei foi uma falta de humildade digna de tratamento, uma esquiva que me lembrou outro valor, a covardia. Humilde seria confessar que seu partido não sustenta mais o discurso de combate à corrupção, que errou em sua política econômica, que errou ao prometer uma nação educadora, que errou ao imputar a seus adversários ações impopulares que vossa excelência tomou assim que empossada par a o 2º mandato, que errou ao aliar-se com Maluf, Calheiros, Sarney, Collor, etc. O filósofo alemão Immanuel Kant definiu a humildade como "a virtude central da vida, uma vez que dá uma perspectiva apropriada da moral. ”. Sugiro algo, presidente, se afaste de suas atividades até a completa investigação dos desvios ocorridos na Petrobrás durante seu período como presidente do conselho administrativo da estatal, e sejamos humildes, todos nós.

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