11 de janeiro de 2015

VOZ E AÇÃO

Por Danilo Rizzo - Para Platão, a ação do homem é definida, e cada fração da alma deve atuar de acordo com a virtude correspondente. Aristóteles entendia que não existem virtudes inatas, todas se adquirem pela repetição dos atos, que gera o costume, e esses atos, para gerarem as virtudes, não devem desviar-se nem por falta, nem por excesso, pois a virtude consiste na justa medida, longe dos dois extremos. Levando em conta que virtude é algo amplo, que remete à conduta, que depende da perfeita adaptação entre os princípios morais e a vontade humana, como podemos desabrochar nosso melhor?
Penso que um ponto importante nesse busca é o reconhecimento de nossas vocações. A palavra vem do latim e quer dizer chamar. Entre outras, desse verbo também se originou a palavra voz. Logo, vocação é uma convocação, uma inclinação, uma tendência ou habilidade que leva o indivíduo a exercer uma determinada carreira ou profissão. É uma competência que estimula as pessoas para a prática de atividades que estão associadas aos seus desejos. Lembrando-se dos estudos aristotélicos, cada um de nós tem um lugar determinado no Cosmos, e nossas vocações e virtudes são comprometidas a Zeus.
Imagem: thinkingover.blogspot.com
Ao melhor estilo ‘a grama do vizinho é mais verde’, parece que para muitas pessoas, identificar a vocação não é algo difícil. Se prestarmos mais atenção ao nosso redor, veremos que as pessoas aparentemente mais satisfeitas são aquelas que seguiram sua vocação, seu chamado. Vamos deixar claro que não se trata de dinheiro ou bens... Estamos aqui falando de algo muito mais importante. É preciso não ter preconceitos com a nossa verdadeira vocação e não deixar que, por conta de palpites errados ou maus conselhos, deixemos de segui-la. Não existe trabalho menos digno ou mais digno, desde que seja honesto e virtuoso. Afinal, dar vazão a suas virtudes é o que o Universo espera de você. Infelizmente as pessoas, por medo de assumirem sua verdadeira vocação, buscam dinheiro e bens materiais. O resultado disso é a amargura e a tristeza, que parece epidêmica atualmente. E sofrem disso por mero descuido, já que vocação já está em nós, a virtude já é nossa, elas já existem. O que é preciso é busca-la.
Tenha em mente que identificar sua vocação é apenas o primeiro passo. Depois disso você levará tempo para entendê-la e moldá-la de acordo com as necessidades e qualidades exigidas pelo mercado de trabalho. Sim, você terá que enfrentar tudo o que você já enfrenta, com a diferença fundamental de que você desenvolverá algo que se relacione intimamente com você mesma. Mas não espere que sua vocação apareça magicamente, tome a iniciativa e pesquise as opções disponíveis. Não se apegue à teoria, a teoria aplicada é sempre mais agradável ao Cosmos. E já que temos que viver em sociedade, converse com as pessoas, as que te conhecem, e as que fazem o que você gostaria de fazer.

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