30 de novembro de 2014

ESTELIONATO ELEITORAL OU SALVAMENTO DA GALINHA DOS OVOS DE OURO?

Por Gerson Moyses - Em meu artigo, DEPOIS DA BONANÇA, VEM A TEMPESTADE, publicado neste blog em 20/62014, escrevi que “...após as eleições o que está ruim pode piorar. Os ajustes na economia serão inevitáveis, qualquer que seja o vencedor...”.
Não é preciso ser economista, futurólogo ou vidente para prever essa situação, mas apenas ter alguma noção básica de economia doméstica. Mas foi dito e feito! Apesar das acusações de que os candidatos da oposição adotariam um modelo econômico neoliberal (que acabaria com os empregos dos trabalhadores, com as escolas das crianças e com a comida na mesa do brasileiro), parece que a presidente vai pelo mesmo caminho.
Imagem: brasilcult.pro.br
Bem, vamos voltar um pouco no tempo. Após a crise econômica de 2008, o País poderia ter optado por uma política econômica que trouxesse a inflação para o centro da meta, ou seja, 4,5%. Porém, o governo optou por oferecer renúncia fiscal para vários setores da economia, fazer aportes em bancos públicos para conter os juros ao consumidor, oferecer muito crédito para estimular o consumo. Essa política chamada de ‘antirrecessiva’ ou ‘anticíclica’, resultou no aumento da inflação que em alguns momentos ultrapassou o teto da meta (6,5%), mas que deve fechar o ano ainda muito próxima disso. E a justificativa para isso foi a manutenção de baixas taxas de desemprego e dos aumentos de salário acima da inflação. Assim, o brasileiro apesar de pagar mais caro pelos produtos e serviços, manteve algum poder de compra. Mas o maior pecado do governo foi não estimular a produção!
O governo preferiu a gastança, esquecendo que “não existe almoço grátis” (proposição atribuída ao economista Milton Friedman). Alguém sempre paga a conta!
Essa gastança toda está chegando ao limite e gerando indícios de recessão técnica e de estagflação (PIB baixo e inflação alta), além de redução do superávit primário (economia que o governo faz para pagar dívidas). E o governo quer alterar a lei para ‘legaliza’ o não cumprimento dessa meta!
Mas se o Brasil tem algo próximo de 400 bilhões de dólares em reservas cambiais (o suficiente para pagar dívidas), por que a preocupação? Oras, é só saber o que acontece com uma família que gasta todas as economias para consumir, que não economiza e que não se preocupa com a entrada de dinheiro por alguma atividade produtiva: provavelmente não vai conseguir pagar as contas, as dívidas aumentarão, o nome ficará ‘sujo na praça’, não conseguirá crédito e não fará os investimentos desejados ou necessários. 
Na última sexta-feira (28/11/14) foi anunciado o PIB do terceiro trimestre de 2014, e a economia brasileira cresceu 0,1%. Dentre os 34 países que anunciaram o PIB, só ficaram atrás do Brasil a Itália, o Japão e a Ucrânia. Uma péssima posição para o Brasil que está quase na ‘lanterna’. Esse modelo não é sustentável, e corremos o risco de matar a ‘galinha dos ovos de ouro’!
Mas vamos voltar ao cenário político. Nessa semana foram anunciados os nomes dos novos ministros da fazenda e do planejamento, e com eles a expectativa de adoção de um modelo de gestão que os ministros da fazenda dos candidatos da oposição disseram que adotariam. Além disso, medidas pouco heterodoxas foram tomadas no pós eleição, mesmo tento sido rechaçadas pela chapa da situação durante a campanha eleitoral.
Seria um ‘estelionato eleitoral’? Até pode ser. Mas se medidas de austeridade não forem tomadas, a ‘galinha dos ovos de ouro’ morre.

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