18 de maio de 2014

A LEI DE MURPHY E O PREGUIÇOSO ESFORÇADO

Por Danilo Rizzo – As relações entre os serem humanos evolui diariamente. Desde os longínquos tempos da Grécia antiga com a ideia de que fazíamos o que fazíamos porque Zeus assim queria, até a modernidade quando nos entendemos como indivíduos capazes de decidir nossos destinos, e assim criarmos uma relação baseada no contrato, uma relação humanista. E para regular essas relações foram criadas leis, e, quase em pé de igualdade, os costumes locais, que são uma espécie de materialização do bom senso comum. Há ainda uma terceira espécie de regulação, as chamadas leis não escritas, que não são leis formais, mas que também não são costumes.
Talvez a lei não escrita mais famosa é a Lei de Murphy, a qual, num consenso aparente, trás em seu artigo único o seguinte pensamento: “Se alguma coisa pode dar errado, dará.”. Alguns desocupados estudiosos acrescentam: “... e mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.”. Também parece consenso que a expressão é oriunda do resultado de um teste de tolerância à gravidade por seres humanos, feito pelo ator de cinema engenheiro aeroespacial norte-americano Edward Murphy. Ele deveria apresentar os resultados do teste, contudo, os sensores que deveriam registrá-lo falharam exatamente na hora, porque o técnico havia instalado os sensores da forma errada. Frustrado, Murphy disse "Se este cara tem algum modo de cometer um erro, ele o fará". Curioso que mais tarde, o teste obteve sucesso, e durante uma conferência de imprensa, John Stapp, que havia servido como cobaia para o teste, atribuiu ao fato de que ninguém saiu ferido dos testes por levarem em conta a Lei de Murphy e explicou as variáveis que integravam a assertiva, ante ao risco de erro e consequente catástrofe, e enunciou a lei como "Se alguma coisa pode dar errado, ela dará".
O conceito da Lei de Murphy se baseia nas leis da probabilidade, e usa a prerrogativa da nossa tendência de enfatizar o negativo e não perceber o que é positivo. De fato nosso sistema cognitivo não é dos mais brilhantes em termos gerais, mas somos bons em reconhecer padrões, mesmo quando são padrões falsos. Da assertiva de Murphy surgiram algumas flexões ou observações como: “A outra faixa sempre anda mais rápido” (Observação de Etorre); “O que você perdeu está sempre no último lugar em que você procura” (Lei de Boob); e “Um atalho é a maior distância entre dois pontos.” (Lei de Issawi).
A maior vítima dessa lei não escrita é, sem duvida, a figura do preguiçoso esforçado. Na maior parte do tempo somos pessoas bem intencionadas, esforçadas, mas na maior parte do tempo também somos preguiçosos, e queremos agilizar as coisas para tirarmos da frente as tarefas menos motivadoras. Esse conceito de ‘agilizar as coisas’ é fatal quando entra em cena a Lei de Murphy, pois quando tentamos agilizar as coisas, via de regra negligenciamos algo em prol da velocidade, e normalmente o que deixamos de lado são o bom senso, a prudência, a pericia. E perceber que presenciaremos a atuação voraz e corretiva dessa lei é muito simples, nós estamos programados para isso, basta nos depararmos com uma situação qualquer e nosso cérebro nos alerta enviando a seguinte mensagem: VAI DAR MERDA!!!
Um exemplo muito comum é quando precisamos mover algo do lugar. Quem nunca moveu uma mesa com louças, copos, ou material de escritório em cima. Ou quem nunca fez mudança em casa e quis levar todas as 135 caixinhas de CD de uma só vez de um quarto para o outro. Ou quem nunca quis, numa viagem só, carregar todas as sacolas de compra do carro para dentro de casa. Veja que em todas as situações que descrevi não há má fé, não há má vontade, afinal, o preguiçoso esforçado não é um mau caráter, ele só é preguiçoso.
Viver sob a sombra de tantos controles, tantas leis, escritas ou não, tantos costumes, é chato. De fato é muito chato. Mas meu conselho é se você puder optar entre não ser politicamente correto ou desafiar a Lei de Murphy, lembre-se que todos nós somos preguiçosos esforçados, e foda-se abra mão do politicamente correto. Afinal, como sabiamente afirma uma das flexões de nossa lei: “Errar é humano. Perdoar não é a política da empresa.”.

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