23 de março de 2014

A PRODUÇÃO ARTÍSTICA A GESTÃO

foto: valberlucio.com
Por Gerson Moyses - Desde criança convivi com as belas artes, pois meu pai é artista plástico. Na minha infância e adolescência tive contato com importantes artistas como Camargo Freire (1908-1991), Francisco Prohane (1921-2004) e Jagobo PAN (1922-1991), L.P. Moyses (1934-) entre outros. Foi um período marcante, pois acompanhava a produção dos quadros, os encontros e as conversas animadas, e principalmente as exposições. Foi aí que comecei a tomar gosto pelo tema. O tempo passou e surgiram outros interesses e prioridades, e acabei por me afastar do mundo artístico.
Há cerca de um ano decidi retomar os estudos de artes. Adquiri livros, tintas, solvente, pincéis, carvão, espátulas e telas. Fiz um curso de desenho e pintura a óleo. E desde então, essa voltou a ser uma das grandes paixões da minha vida. Passei a freqüentar museus e exposições, não só como atividade de lazer como também de estudo. No último ano visitei o Museu Joaquín Torres García (em Montevideo); o Museu Nacional de Belas Artes (em Buenos Aires); várias exposições no MASP, na Pinacoteca do Estado e no Centro Cultural Banco do Brasil, entre outros. Além disso, passei a participar de exposições como artista.
O estudo, a produção e o consumo de arte trazem importantes benefícios para o desenvolvimento intelectual, cultural e motor de quem o pratica. Vou relatar aqui como produzo uma tela a óleo. Inicialmente é necessário que o artista tenha uma visão sobre o que será sua obra, e definir o tema. O próximo passo é escolher o tamanho da tela, as tintas e os pincéis que serão usados. Na sequência faz-se o desenho e inicia-se a cobertura da tela com tinta. Em alguns momentos, mesmo a contragosto, é necessário interromper a empreitada e aguardar que aquela tinta seque, para que seja possível continuar a pintura posteriormente. Caso não se respeite essa regra, a tinta ainda molhada vai se misturar à nova camada e comprometer o resultado. Há alguns aspectos importantes como a perspectiva, as cores quentes (que aproximam), as cores frias (que distanciam), as cores complementares, o volume, a luz e a sobra. Se essas variáveis forem bem dominadas e controladas, o resultado certamente será muito melhor. Pode haver arrependimentos e correções - a tinta a óleo permite isso! Ao terminar a pintura, assina-se a obra e novamente deve-se aguardar que a tinta seque completamente. Devem-se fazer os registros necessários, tais como: título, dimensões da tela, data e técnica utilizada. A obra deve ser emoldurada. O próximo passo é a exposição, quando a obra de arte cumpre sua função principal, que causar algum tipo de emoção em que tem contato com ela. Se a emoção for o encantamento a alegria, melhor! Ah, e espera-se também algum tipo de premiação ou reconhecimento, que nesse caso vem como medalha, menção honrosa ou catalogação da obra. Se a obra for adquirida por um grande museu, como os que eu visitei, é como se o artista ganhasse o Prêmio Nobel! A partir daí, o artista avança para outros níveis de excelência em sua atividade.
Descrevi essa experiência tão pessoal, pois tenho a plena certeza de que esse fluxo pode muito bem ser utilizado no dia a dia das pessoas, das empresas, e principalmente nas esferas públicas. O desenvolvimento de competências, a escolha e a adoção de referências, a visão do futuro, o planejamento, a realização, a espera necessária, o controle das variáveis, o acompanhamento de indicadores, a possível mudança de rumo, os registros, a divulgação e o reconhecimento são etapas sequenciais e que raramente são adotadas e seguidas de maneira disciplinada. E o resultado dessa falta de disciplina pode ser percebida a todo o momento em todos os lugares. Os resultados são o desperdício, os defeitos, a perda da eficiência e da eficácia, e péssima percepção de qualidade, entre outros.
E para terminar, percebo que cada vez mais venho me divertindo mais com a arte do que com a técnica e com ciência!

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