12 de julho de 2013

PRÓXIMA PARADA: ESTAÇÃO HIDROVIÁRIA DO TIETÊ

Por Danilo Rizzo - O Brasil possui uma das mais amplas, diversificadas e extensas redes fluviais de todo o mundo, contamos com o maior potencial hídrico da terra, e nada menos que 13% de toda água doce do planeta encontra-se em nosso território. São doze regiões hidrográficas - do Amazonas, do Atlântico Nordeste Ocidental, do Tocantins, do Paraguai, do Atlântico Nordeste Oriental, do Parnaíba, do São Francisco, do Atlântico Leste, do Paraná, do Atlântico Sudeste, do Uruguai e do Atlântico Sul – que atualmente tem uma extensão navegável de aproximadamente 27.400km e, segundo a ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), equivale a metade do potencial disponível.
Sou nascido e criado no Estado de São Paulo, e convivo diariamente com os rios da região metropolitana da capital, notadamente os rios Pinheiro, Tamanduateí e Tietê, o qual moro a pouquíssimos quilômetros, o que vale dizer que nos dias de água mais agitada, posso sentir da minha casa o ‘aroma’ típico desse rio.
foto: estanciabarrabonita.com.br
Quando criança e por questões familiares, destino frequente de minhas férias de meio de ano era a região central paulista, mais precisamente uma pequena a cidade chamada Barra Bonita, banhada também pelo Tietê, cuja grande atração turística é navegar pelas águas calmas do rio num dos barcos disponíveis no porto local. O passeio nos barcos de Barra consiste basicamente em ‘subir’ o rio em direção à eclusa, vencer o desnível provocado pela barragem, mais alguns minutos de passeio apreciando o belo cenário, depois novamente para a eclusa, e por fim de volta ao porto de Barra. Como disse, cansei de fazer esse passeio com meus pais e avós quando criança, quando tudo chama a atenção, tudo é novidade, principalmente por tratar-se de uma atividade incomum, cujas histórias do ‘elevador de barco’ intrigavam meus colegas de prédio e escola.
Chegou a adolescência e a vida adulta, e passei vários anos sem regressar àquela região, claramente porque não se trata de um destino com atrações para essa faixa etária. A pouco tempo, por força do trabalho, voltei a frequentar a região, não exatamente Barra Bonita, mas Jaú, cidade a 20km de Barra, antigamente notada pela cafeicultura e hoje conhecida pelas industrias de cartonagem e principalmente pela produção de calçados femininos. Voltei para a região à trabalho, mas minha memória e meu coração resgataram todos os sentimentos do garoto Danilo e, por me sentir tão a vontade por lá, a região tornou-se destino comum das férias da família, e claro, tornei a navegar pelo Tietê à bordo dos barcos do porta de Barra Bonita. Mas dessa vez não olha aquilo com deslumbre, intrigado com o funcionamento da eclusa, me peguei pensando como o transporte hidroviário ajudaria a desafogar o trânsito da capital dos paulistas. Como seria legal se o rio Tietê fosse navegável também na região metropolitana de São Paulo.
O Tietê viveu seus áureos tempos no início do século passado quando chegou a ser palco de disputas esportivas, como retratado nesse artigo do blog do amigo Dante de Rose. É fato que o governo do estado investe na despoluição e desassoreamento do rio, que hoje está muito melhor que uma década, mas será que meu sonho é tão distante? Fazendo uma rápida pesquisa, encontrei essa matéria do Estadão onde o governador Geraldo Alckmin fala a respeito, em principio apresentando um projeto de barco turístico para 2015. Também encontrei essa matéria aqui, sobre Medellín-COL, onde a prefeitura local pretende transformar o leito do rio de mesmo nome num dos maiores parques em extensão da América Latina. A referência do projeto colombiano é o Parque Bicentenário, de Santiago do Chile, o que me faz pensar que, apesar de sermos uma das maiores economias do mundo, estamos muito atrasados noutros aspectos.
Tanto o projeto anunciado por Alckmin quanto o da prefeitura de Medellín tem aspectos turísticos e recreativos, mas honestamente continuo pensando na viabilidade do Tietê, e pelo menos esse, ser navegável a ponto do transforma-lo numa alternativa de transporte público para deixarmos nossos carros em casa. Como disse, eu moro a cerca de 1,5km do Tietê e, apesar de adorar dirigir, eu seria capaz deixar meu carro em casa para vencer os quase 40km de distância até meu trabalho atual, na região central da capital. Venceria tranquilamente a distância de casa até a estação hidroviária local, poderia pegar carona, utilizar outro transporte público ou bicicleta, uma vez embarcado, chegaria em minha parada na região da Ponte da Casa Verde provavelmente na metade do tempo que gasto atualmente, e de lá até o escritório - cerca de 4km - pegaria o metrô, por exemplo. Não seria uma boa? Acho que seria.

2 comentários:

  1. Danilo, a anos atrás viajava de barco de anhembi, onde o Rio Tietê começa a ser navegado até Barra Bonita, e o Rio era mais limpo, hoje a Prefeitura local não tem tratamento de esgoto, e despeja todo ele no Rio! A vizinha cidade de Igaraçu que tem menos recursos financeiros trata 100% de seu esgoto, o que mostra que o problema e a falta de vontade nossos governantes, e principalmente de nosso principal o Governador Alckimim, ao qual não sabe o porque é governador! Mas sou brasileiro é acredito que um dia vou voltar a navegar em aguas limpas.
    Abs.
    Celso Rizzo

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  2. Lendo o texto me recordei de uma reportagem recente de um telejornal sobre duas pessoas que vivem de recolher lixo do rio tietê em uma região próximo a sp para vender como reciclado. Quando assisti fiquei indignado com a situação, primeiro pela vida que levam em uma metrópole que divide a pobreza e concentra a riqueza e, em segundo lugar, ficou claro que o rio é o mais puro reflexo da sociedade que vivemos....podre, sem perspectiva de mudança e explorado da maneira mais ineficiente que pode existir (coleta de lixo). Mas isso ainda não é tudo, por mais inacreditável que pareça, os protagonistas da reportagem ainda se alimentam de produtos inviolados que acham no rio, como bebidas lacradas e pacotes de bolachas, além de recolher móveis jogados no rio para formar a mobília de suas residências.
    Alan

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