24 de maio de 2013

SENHORES DO ATRASO

Por Gerson Moysés - A aprovação da MP 595/2012, a chamada ‘MP dos portos’, acabou se tornando uma corrida contra o tempo, devido à falta de um plano do governo para as negociações com o congresso, e ao oportunismo dos congressistas para obter vantagens ‘aos 45 do segundo tempo’. O que se viu foi a explicita irresponsabilidade dos deputados, principalmente da oposição e também de parte da base aliada.
foto: vignettemagazine.com
A MP foi encaminhada ao Congresso em dezembro do ano passado e aprovada na última quinta-feira (16/5/13), a quatro horas e meia de perder a validade. Esse fato mais uma vez apontou a clara intenção de muitos setores de impedir o desenvolvimento do País, em nome de interesses particulares ou corporativistas. 
O que é a MP 505/2012? A medida provisória, proposta pela Presidente Dilma, pretende modernizar os portos brasileiros. Ela estabelece novos critérios para a exploração e arrendamento de terminais de movimentação de carga em portos públicos. A intenção do governo é ampliar os investimentos privados e modernizar os terminais, a fim de baixar os custos de logística. O próximo passo é a sanção pela Presidente. Essa medida é fundamental para reverter o caos logístico que já vivemos no País, e melhorar as condições de competitividade da economia brasileira. 
O modelo de negócio dos portos, salvo exceções, é extremamente ineficiente. E quem depende deles para produzir, segue uma verdadeira via crucis em busca da prestação do serviço. Até o mês de abril de 2013, o porto de Santos funcionava das 8 às 17 horas. O efeito mais visível: filas gigantescas de caminhões nas estradas da baixada santista e de navios aguardando o carregamento. Essa ineficiência resulta num preço da tonelada embarcada por volta de seis vezes maior que nos EUA, por exemplo. Após o travamento das estradas de acesso, o porto passou a operar 24 horas (fato que enfrentou a resistência dos trabalhadores). 
Vejamos outro exemplo. Na semana passada, eu conversava com um taxista da cidade de São Paulo, e ele dizia que havia sido multado por ‘desrespeitar o rodízio municipal de veículos’. Todos sabem que os táxis são liberados desse rodízio, e só por esse motivo, simplesmente não deveria haver a multa. E o mais incrível é que quando foi solicitar o cancelamento, uma atendente disse que ele devia pagar a multa (“era mais fácil pagar do que recorrer”). 
O país está infestado por parasitas, materializados por uma infinidade de sindicatos, agências reguladoras, e outros guardiões da burocracia, que não permitem o desenvolvimento da Nação. São os ‘senhores do atraso’. E quem paga essa ineficiência? Eu, você que está lendo esse artigo, e mais cada habitante desse país. Já conquistamos coisas consideradas impossíveis há 25 anos, e avançamos. Se quisermos um crescimento econômico sustentável, urge mudar essa situação.

2 comentários:

  1. CONCORDO COM O ARTIGO E SE PUDESSE MUDARIA PRA SUIÇA.

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  2. Acho que alguém que não vive no Brasil e lê isso deve achar que é piada, rssss. Fica uma pergunta, como organizar uma mudança na política do país??? Pois acredito que esse seja o desejo da maioria, mas não consigo enxergar um caminho para promover as mudanças necessárias.

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