6 de abril de 2013

LIVRO SAGRADO OU CARDÁPIO DE PIZZARIA

Por Danilo Rizzo - Não sei se sou muito tradicionalista, mas grande parte das manifestações religiosas que vi nos últimos anos desvirtuam completamente o propósito de amor e fraternidade que, na teoria, se propõe seguir. 
Tenho para mim que qualquer interpretação de um livro sagrado deve ser feita com extremo cuidado. A tradição aceita pela maioria dos cristãos, a Bíblia foi escrita por 40 autores, totalizando um período de escrita de quase 1600 anos. Cerca de 600 anos depois de Cristo surgiu o Alcorão, que os muçulmanos creem ser a palavra literal de Deus revelada ao profeta Maomé ao longo de vinte e três anos. Mais recente é o Livro dos Espíritos do pedagogo francês Allan Kardec (1857-1860), construído através de seu diálogo com espíritos que se manifestavam através das jovens Caroline e Julie Boudin (respectivamente, com 16 e 14 anos à época) e revisado por vários espiritas europeus antes de sua publicação.
Todos os livros sagrados que citei tiveram pelo menos um aspecto em comum, a intervenção humana. Logo entendo que sejam livros já interpretados e que carregam impressões e sentimentos de quem os escreveu. E por sua antiguidade, não creio que possamos aplicar rigorosamente seus conteúdos nos dias atuais. Entendo que a aplicabilidade desses livros deve ser de forma principiológica, não fática, não se comparando situações do cotidiano atual aos enfrentados naquelas épocas. 
A aplicação ipsis literis das narrativas na contemporaneidade é perigoso e produz aberrações inimagináveis.  Dia desses, zapeando pelos canais da televisão lá de casa, me deparei com um desses tele pastores proclamando que o estavam perseguindo por ele trazer a palavra Jesus Cristo, e que o próprio Jesus havia antecipado tal fato na Bíblia. (What!) O tele pastor então proferiu um capitulo e versículo bíblicos habilmente decorados e reproduziu o texto bíblico dizendo que Jesus disse a seus discípulos que Ele e eles seriam perseguidos pelos 'sei lá quem', mas que o amor, ao final, venceria. 
Tive vontade de conferir se o capitulo e versículo que aquele cara citou realmente continham aqueles dizerem de Jesus, mas vejam, aquele senhor pinçou do livro sagrado uma frase dita por Jesus à seus apóstolos, a 2.000 anos atrás, num ambiente hostil, de perseguição romana implacável, e se igualou a Jesus e seus seguidores, com a intensão única de induzir seus ouvintes a olharem para ele como um diferenciado, um escolhido. Honestamente creio que a perseguição a esse senhor nada tem a ver com sua atividade televisiva, mas sim à compra de uma fazenda de R$49mi feita por ele com o dinheiro arrecadado daqueles ignorantes que o aplaudiam.
Mas minha intenção com este texto não é provocar ninguém, e sim mostrar o quão perigoso é aplicar os escritos dos livros sagrados nos dias atuais sem a devida interpretação, por isso, e para tornar a coisa mais leve e simpática, caso queiram avacalhar os ensinamentos Bíblicos, do Alcorão, do Livro dos Espíritos,  etc, façam como as meninas do vídeo... muito mais legal que viver às custas de fieis ignorantes.

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